[Fanfic] Mother

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[Fanfic] Mother

Mensagem  Yami em Dom Mar 08, 2015 1:26 pm

Yay, fanfic nova, e sim, é com a Lissandra, porque falem o que quiserem dela, eu a amo <3.

Tem alguns spoiler de cenas que acontecerão em "Keep Out!", mas nada que vocês já não saibam se leram a história dela na ficha -q

Enfim, espero que gostem =33

Ah, e as frases em itálico são da música "Mother" do grupo Era. Não precisa ler escutando a música se não quiser, ela só me serviu de inspiração mesmo.

Mother
Sinopse: Porque para os outros, Lissandra era um monstro, mas para Leona, ela ainda era a sua filha amada.

Capítulo Único:

“Mãe, você está sempre por perto
Deixe-me dizer-lhe você é a única
Mãe, quando eu vejo esse olhar
Eu sei que você é minha única criança
E você faz meu mundo girar”

-Lissandra, por favor entenda - Leona começou incerta - A sua tia pode ter sido um pouco ignorante, mas ela só quer o seu bem...

-Não me interessa mãe! E se o conceito de "bem" dela é ser uma mulher medíocre feito ela, eu definitivamente estou melhor do meu jeito!

-Mas não é apenas ela, Liss. Eu realmente fico feliz por você estar tendo sucesso e por você ter encontrado algo que gosta para se dedicar, mas por favor, pense na sua saúde! Você não está comendo direito, não sai de casa e não faz NADA além disso... - A mulher suspirou ao ver a filha indo para o quarto - Se pelo menos você tivesse um ou dois amigos.

Lissandra parou. A última frase ressoando incessantemente na sua mente.

"Nós queremos ser suas amigas, queremos te fazer ser uma pessoa legal, queremos te transformar em alguém que os outros possam gostar"

"Você não é ninguém, Lissandra. Não é e nunca vai ser".

-Eu não preciso - Murmurou tremendo de raiva. Sua mãe sabia de tudo e ainda assim falava esse tipo de coisa? - EU NÃO PRECISO DE NINGUÉM, NEM MESMO DE VOCÊ!

PAF!

O tapa soou alto e claro, e tão subitamente quanto Lissandra surtou, sua consciência voltou com uma dolorosa verdade.

"Eu não fiz isso!" Pensou assustada recolhendo a mão rapidamente, buscando no olhar da sua mãe algum sinal, qualquer indício de que aquilo tinha sido apenas uma alucinação, ilusão, sonho, qualquer coisa!

Mas ao ver a tristeza na face de Leona, foi como se a realidade tivesse lhe dado uma facada pelas costas.

-...culpa ...Me desculpa!- Conseguiu gaguejar antes de se trancar no quarto e se encolher no chão.

"Parabéns, Lissandra. Envolveu a única pessoa que não deveria se envolver na sua loucura" O sussurro de sua mente era uma lembrança cruel, e antes que percebesse, pela primeira vez em anos, Lissandra teve medo.

Aquele foi o surto mais rápido da sua vida, mas ao mesmo tempo foi o que trouxe as piores consequências.

o0o0o0o0o

Naquela noite a porta foi aberta com violência.

-Lissandra... O que aconteceu?

-Aconteceu que a casa caiu pra mim, mãe! Descobriram tudo! Mas não tenho tempo de explicar agora, o importante é que, se perguntarem por mim, a senhora não sabe para onde eu fui, certo?

O coração da mulher falhou uma batida.

-Então... É verdade o que me disseram? - Leona arregalou os olhos enquanto Lissandra colocava algumas roupas numa mochila - Você matou mesmo todas aquelas pessoas? - Sua voz se tornou chorosa - Você... Realmente foi capaz, Lissandra? O que aconteceu com você?!

-ACONTECEU O QUE JÁ ERA PREVISTO! Eu me tornei uma gênia muito além da compreensão daquela gente estúpida!

-Mas não era pra ser desse jeito! - Num último esforço desesperado, Leona a abraçou e Lissandra sentiu sua determinação fraquejar - Por favor, minha filha, eu te imploro, por favor, fique! Nós podemos enfrentar isso juntas! Claro que eu sei que a justiça tem que ser feita, mas depois que isso acabar, tudo voltará a ser como antes, você vai ver!

E lá estava ela de novo. A única pessoa que fazia Lissandra realmente desejar ter nascido diferente, mais normal talvez.

A cientista não se arrependia de absolutamente nada do que tinha feito, mas naquele momento estava se sentindo a pior pessoa do mundo por ter envolvido a sua mãe nisso.

Sabia que não podia fraquejar. Que não podia voltar atrás agora.

Mas por um minuto se permitiu ser fraca e abraçou a sua mãe com todas as forças.

-Lissandra, minha filha, por favor, se você ama a sua mãe, fique aqui - Ela murmurou sem forças antes de assistir impotente a sua filha desfazer o abraço e desaparecer na noite.

-É justamente porque eu te amo que eu não posso ficar aqui - A cientista murmurou para a escuridão.

o0o0o0o0o


-Meus parabéns a todos! - Casus estava radiante - Com todas essas almas purificadas, não precisaremos nos preocupar com problemas de lotação por um booooooom tempo, o que é ótimo! - A Albina bateu palminhas e suas auréolas giraram - E agora, como eu prometi… - Fez uma pose de suspense - Chegou a hora de eu conceder um desejo a vocês!

Lissandra observava toda a comoção mais pensativa que o normal. Era chegado o momento em que poderia pedir tudo o que sempre sonhou: Fama, poder, conhecimento, sabedoria infinita… Sabia que qualquer uma dessas coisas a faria feliz e seria bem aproveitada, mas no seu coração já tinha decidido.

Tinha uma dívida muito importante a pagar para com aquela pessoa.

-E então, Lissandra, decidiu? - Casus chegou perto dela sorrindo como sempre.

A cientista louca respirou fundo.

-Eu desejo…

o0o0o0o0o0o

Alguns meses  depois…

Ironicamente, Lissandra poderia dizer que a sua vida melhorou bastante depois da sua morte.

Ainda odiava pessoas, ainda se isolava, mas agora pelo menos tinha um “trabalho” que, além de lhe fornecer dinheiro o suficiente para não precisar viver na linha da miséria, vez ou outra lhe dava corpos vivos e saudáveis nos quais podia testar quantas drogas quisesse. Também tinha voltado a fazer coisas que gostava muito, como dançar, escutar música e ver filmes. Com a saúde da mente melhorando, o corpo foi naturalmente se recuperando de anos e anos de dano e agora, ainda que estivesse fraco, já não tinha mais o aspecto cadavérico e anoréxico de antes.

Ali, em um simples colchão jogado no meio da sala, enrolada em um cobertor com um balde de pipoca na mão enquanto assistia a um seriado britânico qualquer, Lissandra quase (Veja bem, eu disse QUASE) poderia ser considerada uma pessoa normal.

“Toc toc”.

Delicadas batidas na porta chamaram a sua atenção e a cientista buscou na memória quem poderia ser…

“Crap! Esqueci que a faxineira nova vem hoje!” Bufou enquanto pausava o DVD, ligava a luz e ia abrir a porta implorando internamente para que, se fosse mesmo a faxineira, que se assustasse com a sua cara e saísse correndo, porque não estava afim de ensinar a ninguém como funcionava a arrumação da sua casa, pelo menos não naquele dia!

Ainda se lembrava das poucas e boas que a agencia teve de escutar quando descobriu que a diarista anterior estava roubando coisas da sua casa, eles tinham-na prometido que na próxima enviariam uma profissional realmente ética e qualificada, pois bem, ai deles se ela não fosse mesmo tudo isso!

-Bom dia, senhorita Lissandra, eu sou Leona, enviada para limpar seu apartamento. Prazer em conhecê-la.

Lissandra sentiu seu coração falhar uma batida.

-P-prazer, Leona, pode entrar... Fique a vontade.

A mulher deu um pequeno sorriso e logo foi entrando e conhecendo todo o lugar.

-Por onde eu começo?

-Pode começar pelo quarto, ou pelos banheiros, você quem sabe! Fique a vontade e sinta-se como se o apartamento fosse seu. Eu... Vou precisar sair, mas voltarei em breve, não se preocupe.

Sem nem mesmo esperar a resposta da mulher, Lissandra pegou seu casaco e saiu pela escadaria do prédio passando a mão freneticamente nos cabelos enquanto desejava mais que tudo uma dose de café para se acalmar.

“Não devia ter voltado para a Inglaterra... Mas afinal, o que raios ela está fazendo em Londres? Nós éramos de Cambridge!” Mordeu os lábios sentindo o coração palpitar, sem saber direito como agir diante daquela que a gerou, mas que agora não era mais que uma desconhecida.

Socou a parede quando sentiu a vozinha irritante na sua cabeça lembrando que aquilo tudo era culpa sua.

“Arque com as consequências”
Respirou fundo tentando se acalmar, tinha muita coisa que queria saber e não podia se dar ao luxo de perder tempo com surtos.

-Mã... Leona?! – Chamou ao entrar no apartamento.

-Na cozinha! – Escutou a voz calma – Foi rápida, achei que ia demorar mais.

-Eu... Só lembrei que estou esperando uma correspondência importante e fui ao térreo ver se chegou algo.

-Entendo. Você tem cara de ser muito inteligente, Lissandra – Ela sorriu e Lissandra se encabulou.

-Obrigada... Precisa de ajuda com algo?

-Não não, pareço velha mas ainda estou forte, mocinha! – Brincou e a cientista deu uma risada curta e baixa, ela era exatamente igual as suas lembranças mais felizes, e isso de certa forma deixava Lissandra mais aliviada.

“Ela não tem os traços de cansaço que ganhou depois que os meus surtos começaram”.

-Tenho certeza de que você é uma mulher muito forte... Posso fazer uma pergunta um tanto pessoal?

-Vá em frente.

-Você tem filhos?

-Era só isso? Tenho dois meninos, o mais velho se chama Alek, o mais novo se chama Keanu. São uns meninos de ouro que só você vendo! O orgulho de qualquer mãe.

-Já adultos, imagino – Sorriu nostálgica ao lembrar-se das brincadeiras com os irmãos e de todos os segredos que guardavam entre si.

-Sim sim, como adivinhou?! Keanu é pintor. Não faz muito sucesso, mas ele diz que está realizado com sua arte e eu, sinceramente, prefiro assim. O sucesso costuma deixar as pessoas loucas – Sussurrou como se contasse um grande segredo – Alek é professor de história na faculdade, mas me preocupa. Ele é gay. No começo eu não pude acreditar, mas depois ele me apareceu com namorado e tudo! Outro amor de menino, o nome dele é Sawyer e é impossível não gostar dele, mas tenho tanto medo desse mundo cruel, Lissandra! Você sabe, os casos na TV, etc.

“Então Alek realmente contou para ela sobre isso? E ele AINDA está com o Sawyer? Nunca acreditei que meu irmão conseguiria aquietar o facho”.

-Entendo, é realmente um mundo perigoso, mas tenho certeza de que ele ficará bem.

“Ela tem preocupações que qualquer mãe comum tem agora. Não precisa ficar mantendo uma assassina em casa, nem se torturar perguntando onde errou na minha criação”.

-E seu marido, vai bem? – Perguntou enquanto acompanhava a mulher fazer a faxina pelos cômodos do apartamento mediano.

-Meu marido morreu há muito tempo. Sinceramente, não era um homem muito bom, bebia muito, sabe? Mas ainda assim torço para que a alma dele encontre a paz. É algo que todos merecemos depois da morte.

-Imagino que sim.

A conversa continuou calma e despretensiosa. Sutilmente Lissandra ia conseguindo informações sobre como ela e seus irmãos viviam, se estavam bem, esse tipo de coisa.

E como havia deduzido, todos estavam felizes e perfeitamente bem sem ela. Podia-se dizer que estavam até melhor do que antes

As horas passaram voando e, quando menos perceberam, Leona já tinha terminado seu trabalho.

-Foi um prazer, Lissandra. O dia de hoje foi muito divertido.

-Para mim também – A cientista sorria como não fazia há anos – Eu... Vou te ver de novo?

-Não como faxineira. Hoje é meu último dia na empresa, juntei algum dinheiro e agora posso me dedicar integralmente ao meu próprio negócio. É uma pequena lojinha de tortas – Puxou um cartão do bolso e entregou para a garota – Aqui o endereço, mas não conte a ninguém que eu lhe dei. Não posso fazer propaganda no trabalho.

-Permanecerei um túmulo – Prometeu e, por alguns minutos, Leona ficou em silêncio, encarando-a.

E sorriu.

-Posso contar um segredo, Lissandra? Mesmo tendo dois filhos, no fundo eu sempre quis uma menina. Nunca tive preferência por personalidade ou coisas do gênero, apenas sempre quis que meus filhos fossem felizes, mas... Se eu tivesse uma menina, acho que gostaria muito que ela fosse parecida com você – Riu baixo – Estranho não?

-... Não muito, provavelmente deve ser mais normal do que imaginamos – Respondeu rapidamente num fio de voz – Eu irei visitar a loja assim que ficar pronta.

-Certo. Até mais, Lissandra.

-Até mais, Leona.

Ainda esperou alguns minutos até se certificar que Leona realmente tinha ido embora antes de trancar a porta do apartamento com uma força desumana, cair no chão e esconder a cabeça entre os joelhos.

E pela primeira vez em anos, a “mente mais maligna nascida nesse século” chorou.

“Você ama sua mãe como eu amo a minha?”

o0o0o0o0o

-E então, Lissandra, decidiu? - Casus chegou perto dela sorrindo como sempre.

A cientista louca respirou fundo.

-Eu desejo que a minha mãe ressuscite, mas a partir do momento em que ela viver, todas as memórias sobre a minha existência serão apagadas desse mundo e da mente de todos.

-Inclusive as memórias dela?

-Principalmente as memórias dela.

Se não podia mudar a si mesma, pelo menos iria salvar a única pessoa inocente em toda a sua história.

“Você ama sua mãe como amo a minha?”.

Pois bem, o que acharam? Reviews são muito bem vindos \o\

E como sempre, agradecimentos totalmente especiais a Kane pela betagem <3
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